sábado, 9 de abril de 2011

É aula vaga na escola. Procuro no momento algo para fazer que seja, ao mesmo tempo, bacana e permitido. Sobraram-me, então, as letras. jack  kerouac, ou melhor, o livro que ele escreveu já me forneceu a cota diária de bem-estar. Parto, então, para o mundo das criações. Sinto cheiro de crônica no ar...
Mas, mesmo em meio às coisas cronicáveis do dia a dia, nenhuma delas pôde cair no funil do lápis - sim, ainda uso o instrumento de madeira. talvez a hora não seja própria, é o que a gritaria inerente a uma sala de ensino médio insiste em tentar provar.
Teimosa, ainda não desisto. E nesse quê, quando alguma idéia começa a se encher na mente, recebe logo as alfinetadas dos gritos histéricos de alguns, que tomam minha atenção, pois rapidamente me viro para ver se é algo grave, se há algum coordenador ou militar à vista, se os céus estão caindo ou algo do gênero, mas sou novamente lembrada que são apenas gritos inerentes a uma sala de ensino médio... - nada mais -, com os quais já deveria ter me acostumado, ainda que seus porquês não merecessem tanto.
Faço, então, uma pequena prece ao superior:
- Olhai por essa filha tua, que tem as idéias e os papéis. Dá-lhe, por misericórdia, o que falta no momento: a bênção da sublime concentração...
E... Surpresa! A Professora irrompe na sala de aula. seu olhar de espanto e repreensão mostra que não fui a única a não poder fazer algo prazeroso. seria a nobre senhora também uma cronista em apuros?
E começa o sermão. Depois de levar meia dúzia de bordoadas verbais, a classe volta magicamente à calmaria dos dias em que todos eram estranhos uns aos outros.
E as idéias voltam a tomar corpo. ainda que me sinta culpada pelo esbregue matinal que o grupo em questão levou, agradeço, silenciosamente, por aquela visita ilustre. ao menos no pensamento, enfim a sós com as idéias. à crônica!

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